sexta-feira, setembro 4

O verdadeiro caminho...


"[..]Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.[...]
(João 14, 6)

Se enganam se pensam que eu vim aqui para dizer a vocês, leitores, que devem aceitar Jesus, pois ele é o único caminho para se chegar a Deus e obter a salvação. Mesmo porque, no próprio Novo Testamento, existem trechos que colocam à prova tal afirmação que se encontra uma vez, em um evangelho, em toda a bíblia (leiam Rom 2, 14-16). Na verdade, colocariam à prova, pois o sentido de João 14,6 não é literal, é simbólico.


Simbólico? Sim, é simbólico. Assim como o "Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti" (Mat 5, 29). Eu duvido que algum cristão, em plena razão, tenha arrancado o seu olho e lançado-o.

As palavras proferidas por Jesus podem parecer extremamente sectárias e arrogantes. Aliás, é a frase preferida pelas "novas seitas cristãs" para arrebanhar mais fiéis. Não digo que a Igreja Católica já usou: ela usou bastante no período medieval, mas hoje a interpretação é diferente. Eis como ela ficou: "Não há salvação fora da igreja". Não é muito diferente, não é verdade?

Pois bem, Jesus, a síntese do amor, não poderia excluir os que nunca o conheceram, do contrário, estaria negando a sua própria missão na Terra. Lembrem-se que Jesus nunca quis criar uma religião. Jesus não queria criar o cristianismo, o catolicismo, o protestantismo, o pentecostalismo, o espiritismo. Ele queria que, através de seus ensinamentos, as pessoas vissem que o reino de Deus não está nas grandes coisas, nas obras da Lei, na adoração explícita, nos gritos de louvor; mas o reino de Deus se consegue através das pequenas coisas. Coisas simples como amar o próximo, como ajudar a pessoa ao seu lado (exemplo claro na parábola do bom samaritano), tratar bem as pessoas e, sobretudo, colocá-Lo acima de todas as coisas, principalmente da riqueza material. Jesus disse que o reino de Deus é como o grão de mostarda, uma sementinha pequenininha, que está dentro de você, mas você não sabe. E que uma vez cultivada se torna uma imponente árvore. Reflitam bem.

Quando Jesus disse EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA, NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM, ele quis dizer simplesmente o seguinte: "Eu estou lhes mostrando o caminho e o verdadeiro signicado da vida. Se vocês se desviarem do amor que lhes ensinei, da compaixão, da generosidade, da tolerância e da caridade, não conseguirão chegar a mim e ao Pai."

Muitos outros antes e depois de Jesus pregaram a mesma coisa (ex: Zoroastro, Krishna, Confúcio, Buda, Ghandi). Quando conseguirmos trilhar o caminho que Jesus nos mostrou, podemos nos considerar verdadeiros cristãos. Mas não sejamos arrogantes nesse dia, pois existem várias pessoas nesse mundo que nunca ouviram falar de Jesus e que possuem um melhor coração que os nossos. E Deus... sonda os corações das pessoas.

A paz a todos!
Com afeto,


2 reflexões:

Anônimo disse...

Gostei do seu texto, muito bonito e com um verdadeiro toque de liberdade que Jesus transmite. Mas gostaria de deixar aqui uma nota. Os que não conhecem e nunca conheceram Jesus vão ter a oportunidade de o conhecer na ressurreição de justos e injustos, nos novos céus e na nova terra que virá (talvez nesta terra que agora vivemos mas renovada!). E quanto ao julgamento justo de Deus sobre todas essas coisas, o que o Espírito de Deus me revela é que os que sem lei viveram, sem a Lei serão julgados...e o mesmo se aplica a quem conheceu e não conheceu Cristo. Aos que O conheceram mais ainda ser-lhes-á exigido. Quanto ao outros bons propagadores da paz de que fala no texto, sem querer entrar em pormenores, pois não conheço integralmente os textos que sobre eles falam, ninguém me parece ter sido habilitado a suplantar o Mestre de Nazaré, pois ele foi o "expoente máximo do amor" em palavras, actos e acções. E mais! Ele fez algo maior que foi dar a vida pelos amigos, o resgate "expiatório" que mais ninguém fez e mais ninguém fará. Porque o resgate expiatório? Porque depois da entrada do pecado do mundo pela desobediência a Deus, perdemos a comunhão com Ele e o estado de inocência "se foi", e a morte foi o nosso salário. Logo, conhecedores do bem e do mal e, apartados de Deus não poderiamos esperar outra coisa senão o caos, pois não estamos habilitados a governar homens nem a nós próprios. Enquanto não houver a autoridade superior em vigor com justiça e paz plena e sustentada não poderá haver nunca paz entre os homens.
Por isso foi necessário reformular o projecto (ou Deus acabaria com tudo na altura da rebelião! )....a Lei de Deus...e a consequente evidência da incapacidade do homem se salvar pela Lei e pelas regras. Assim, o salário do pecado, a morte, foi pago com uma morte especial para "comprar" para Deus um reino de sacerdotes e sacerdotizas (Homens e mulheres) através da fé. Assim, pela graça e misericórdia de Deus, já nos é possível entrar em comunhão com Ele (Deus) através do sacrificio salvítico de Jesus, e sentir a presença de Deus nas nossas vidas, e portanto termos já uma antevisão do Reino de Deus.
Porque tanto sofrimento no mundo? Exactamente por vivermos sem Ele, e é necessário que tudo aconteça, para que assim não haja argumentos de que podemos ser autónomos gestores da criação sem Deus. Necessário é que venha o caos e as trevas com toda a sua força e astúcia acumuladas ao longo dos séculos da civilização, para que vejamos quão pequeninos e ignorantes somos a respeito das "profundezas de satanás".

Não faço parte de nenhuma Igreja, sou um cristão independente com a Bíblia na mão...algures no meio do cristianismo, e não tenho a pretensão de encontrar Igreja perfeita, pois acredito que ela não exista enquanto houver homens imperfeitos nela. Fico feliz pela pluralidade do cristianismo e o amadurecimento de algumas igrejas a respeito da Palavra de Deus ... a respeito da qual muitos ainda andam longe....

Francisco

L.P. Faustini disse...

Sábias palavras, Franscisco.

A paz!